O presente Blog tem por objetivo expor alguns textos do autor, dentre poemas, artigos (jornalísticos e científicos), crônicas e outros, já publicados ou inéditos.
Muita gente, que se acha esclarecida, não sabe sequer a diferença entre um povoado e uma pequena cidade. Foi o que eu vi na atitude de três jovens que pareciam de passagem no Povoado de Lagoinha. Um disse: “ainda têm coragem de dizer que isso é cidade!”, referindo-se ao povoado que apontava com um olhar panorâmico. Havia desprezo naquele olhar. Seguiram-se as gargalhadas dos três. Aproximei-me da entrada do pequeno supermercado no qual intencionava entrar, próximos dessa entrada estavam os ditos jovens, e fui interpelado pelo que acabara de fazer a afirmação que eu, por acaso, ouvira. “Existe alguma padaria por aqui?”, perguntou subitamente, dirigindo-se a mim. Antes de responder olhei no rosto do jovem e vi uma inequívoca expressão de escárnio, cinismo. Pensei em não responder, já que em nada me agradava o semblante cínico e arrogante do jovem, mas respondi: “aqui também é padaria!”, respondi-lhe apontando para o pequeno supermercado. Ele deixou uma gargalhada estridente exp...
LITERATURA DE CORDEL O INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE MONTES CLAROS Uma conquista da sociedade norte-mineira AUTOR: JOÃO FIGUEIREDO Cordel nº 11/2020 MONTES CLAROS-MG Apresentação O presente Cordel foi produzido como uma simples homenagem ao Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros – IHGMC. Instituição idealizada e fundada por um grupo de homens e mulheres amantes das ciências e da cultura, preocupados com a preservação do patrimônio histórico, geográfico, artístico e cultural de Montes Claros e região. Foi escrito em sextilha, (estrofes de seis versos), com versos metrificados em redondilha maior (sete sílabas poéticas). A técnica para esse tipo de versificação co...
Os dois anciões, com ares de aposentados da Classe Média, conversavam sentados a um banco na Praça Dr. Rockert, em Janaúba, observados por um repórter que casualmente sentara num banco ao lado. Era fim de tarde. Em tempo de pandemia do Coronavírus, os dois anciões não seguiam o protocolo de distanciamento social nem usavam máscaras. O repórter, forasteiro na cidade, usava máscara, estava a cerca de cinco metros dos dois e podia ouvir claramente do que falavam. Ficou muito interessado na conversa e começou a anotar o conteúdo. – Janaúba cresceu muito! Parece cidade grande! Disse um deles. – Cresceu! Antigamente a gente conhecia todo mundo que via aqui, hoje só se vê gente estranha: não se sabe quem é daqui e quem é forasteiro. – É verdade... Uma viatura da Polícia Militar passou. Deslocava-se em velocidade de patrulhamento e olhos fardados, enérgicos, atentos, seguiam observando cada veículo ou transeunte em movimento ou parado. Havia pouco movimento nas ruas. – Lembra quand...
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